Bruno Seabra
A vida é um sono mau e tormentoso
Em cujas sombras a ilusão palpita,
E — como um sonho — velozmente agita
As brancas asas — um mentido Gozo.
Dormir, dormir — embora! Um hino etéreo
Que o Poeta a sorrir traduz e escuta,
Nos diz que breve acabará a luta,
O combate da ideia, o atroz mistério.
Bem o pensaste, ó alma audaz e pura!
E quando a negra Morte enregelada
Abriu-te as portas da divina altura,
Repetiste, feliz e extasiada,
Das algemas da vida libertada:
— Dormi — vim despertar na sepultura!