Varela
Este era loiro como a luz coada
Da manhã pelas nuvens ondulantes:
Nos seus olhos azuis e fascinantes
Boiava sempre a lágrima ignorada.
Alma por Deus dos anjos exilada,
No mundo apenas rápidos instantes
Pousou — e abrindo as asas delirantes,
Tornou cantando à paternal morada.
Mal seu gentil e angélico instrumento
Ressoou entre nós. O firmamento
Chamava ansioso essa erradia alma;
E ela, fechando o cálix de repente,
Foi gozar, junto a Deus, eternamente,
A noite, o orvalho, a viração e a calma.