Arte Poética
A Poesia és tu... Não crês? Pois olha:
O sorriso sutil, leve, discreto,
Que em tua boca úmida se esfolha,
Parece-me um Soneto.
Outras vezes, como uma carícia,
Roçam-te o lábio, ó flor de tentação,
A reticência aérea da malícia...
E as asas da Canção.
Quando suspiras, e esse olhar magoado
Segue no espaço a luz final do dia,
Eu cuido ouvir, num frêmito — a teu lado,
Pousar uma Elegia.
E quando alegre, forte, deslumbrante,
Nas grandes festas teu perfil serpeia,
És a Musa de Báiron e de Dante,
És a rubra Epopeia.