Saudade das Montanhas Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 28 de 159
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Saudade das Montanhas

Aqui em frente destes descampados,

À monótona voz dos lavradores,

Por que minha alma pende como as flores,

Ou como a planta murcha dos valados?

Descamba o sol, aquietam-se os rumores

Da charrua, da enxada e dos arados;

Os bois enormes pastam sossegados;

Despovoam-se o campo e os arredores...

Sinto gemer-me o coração ferido:

Que dor é esta que meu peito encerra?

Que dor formou-te, ó íntimo gemido?

É que nestas planícies nuas erra

O fantasma solene e enegrecido

Das montanhas azuis de minha terra.

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