Saudade das Montanhas
Aqui em frente destes descampados,
À monótona voz dos lavradores,
Por que minha alma pende como as flores,
Ou como a planta murcha dos valados?
Descamba o sol, aquietam-se os rumores
Da charrua, da enxada e dos arados;
Os bois enormes pastam sossegados;
Despovoam-se o campo e os arredores...
Sinto gemer-me o coração ferido:
Que dor é esta que meu peito encerra?
Que dor formou-te, ó íntimo gemido?
É que nestas planícies nuas erra
O fantasma solene e enegrecido
Das montanhas azuis de minha terra.