Gonçalves Dias
Segunda Parte · Os Poetas Mortos
Dorme, Poeta. Ao som da voz brilhante
De teu vivo sepulcro, — ao som da forte
Onda do mar: — dorme afinal na morte,
Ó lutador vencido e triunfante!
Deus, ao te dar o âmago arquejante
Do mar, aos ventos lúgubres do norte —
Eternizou a tua augusta sorte
Pois fê-la como a onda eterna e errante.
Repousa enfim no pélago estrelado,
No teu vasto sepulcro iluminado,
Tu, que as glórias da vida conquistaste:
Embalado nas moles vagas cérulas
Entre os rubros corais e as brancas pérolas,
Descansa, ó lutador, que assaz lutaste!