O Beijo da Morta Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 149 de 159
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O Beijo da Morta

Cresce a invernosa noite, um frio intenso

Morde-me as carnes: — lívido, gelado,

No leito me ergo... e escuto o desolado

Uivo do Inverno, atroz, convulso, imenso...

Tento dormir. Em vão! Escuto e penso.

Penso na eterna Ausente... Ah! se a meu lado

Ela estivesse! um beijo perfumado!

Um só! me fora ardente e ideal incenso...

Abre-se então de leve a minha porta:

É Ela! Entrou. Na palidez da morta

Uma aurora de beijos irradia:

Caminha... chega e diz-me num segredo:

“Une teu rosto ao meu, não tenhas medo:

Venho aquecer-te: — a noite está tão fria!”

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