Enlevo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 98 de 159
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Enlevo

Quando eu contemplo os olhos teus, ó pura

Obra de Deus num dia abençoado,

Sinto que voo aos astros enlaçado,

Preso aos raios da tua formosura.

E uma gostosa e matinal frescura

Tal como um véu de beijos recamado,

Cobre o meu coração fanatizado,

Cego de amor e cego de ventura.

És como a Lua plácida e erradia:

Ao teu olhar meu coração ansioso,

Igual aos bosques quando expira o dia,

Repousa envolto num tremente gozo,

E a ti se eleva a minha poesia

Bem como a voz dum rouxinol medroso.

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