Olinda
Bramia o lamarão como costuma
No feio inverno; — a lua embaciada,
De tormentosas nuvens coroada,
Menos brilhava que do mar a espuma.
Rola em cachões a vaga encapelada,
As estrelas desmaiam uma a uma;
E a férrea âncora é qual ligeira pluma
Para conter a barca fundeada.
Todos contemplam do Recife as luzes:
Mas, ó memória lúcida e vidente,
Com que poder o espírito seduzes!
Era na escura Olinda, — a penitente
Das negras catedrais e negras cruzes –
Que eu punha os olhos meus saudosamente.