Olinda Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 102 de 159
Obra Menu

Olinda

Bramia o lamarão como costuma

No feio inverno; — a lua embaciada,

De tormentosas nuvens coroada,

Menos brilhava que do mar a espuma.

Rola em cachões a vaga encapelada,

As estrelas desmaiam uma a uma;

E a férrea âncora é qual ligeira pluma

Para conter a barca fundeada.

Todos contemplam do Recife as luzes:

Mas, ó memória lúcida e vidente,

Com que poder o espírito seduzes!

Era na escura Olinda, — a penitente

Das negras catedrais e negras cruzes –

Que eu punha os olhos meus saudosamente.

1/1
Menu

Fazer anotação