Amar e Ser Amada
Aproximei-me, e ouvi o que diziam;
— “Sinto um cruel prazer, disse uma: quando
Vejo-o a meus pés — ridículo — chorando
Como um mendigo...!” E os lábios dela riam.
Da outra os meigos olhos se embebiam
No sol poente... A noite ia baixando...
E eu vi que duas lágrimas brilhando,
Por suas faces pálidas caíam.
Torna a primeira: — “Estúpida ventura
A minha! Odiar e ser amada! Choro
Por ver-me livre dessa criatura!
E tu?” — Em vão suplico, em vão o imploro:
— Sei que me odeia, e sou feliz! — “Loucura!”
— Sim! mil vezes feliz porque o adoro!