Artista romano.
Dessa dor saborosa que um poeta
Chamou “doce pungir de acerbo espinho”,
Dessa lembrança de um perdido ninho,
Travo de mel e carinhosa seta;
Dessa dor singular — dupla e secreta:
Macia às vezes como o fresco linho,
Outras vezes terrível como o vinho,
— Áspide oculto em cálix de violeta;
Dessa febre cruel — ardente e fria –
Que envelhece num dia a mocidade
Quando a não mata antes do fim do dia;
Desse misto de horror e suavidade,
Dessa doença atroz, meiga, sombria,
Deus te preserve! Chama-se — saudade.