A Gaivota
Das espumosas águas afrontando
O sal amargo, a alcíone indolente
Voa no ar molhado, e lentamente
Vai sobre as ondas cérulas pairando.
Aflam as vivas auras excitando
Do mar lascivo a boca impaciente;
E a gaivota se eleva, e novamente
Fulgem as águas como que a tentando.
Assim também, ó alma viajante,
E vós, ó minhas ilusões serenas,
Do mar da vida inóspito e brilhante
Voai por entre as revoltosas cenas,
E não lanceis ao monstro inebriante
As vossas brancas e selvagens penas.