A Gaivota Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 112 de 159
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A Gaivota

Das espumosas águas afrontando

O sal amargo, a alcíone indolente

Voa no ar molhado, e lentamente

Vai sobre as ondas cérulas pairando.

Aflam as vivas auras excitando

Do mar lascivo a boca impaciente;

E a gaivota se eleva, e novamente

Fulgem as águas como que a tentando.

Assim também, ó alma viajante,

E vós, ó minhas ilusões serenas,

Do mar da vida inóspito e brilhante

Voai por entre as revoltosas cenas,

E não lanceis ao monstro inebriante

As vossas brancas e selvagens penas.

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