Dia de Finados
Por entre as largas filas silenciosas
Das sepulturas mal iluminadas,
Rugem as negras sedas odorosas,
Ao compasso de excêntricas risadas.
As grinaldas, de goivo entrelaçadas,
À frouxa luz das velas lacrimosas,
Rolam no pó dos túmulos, — lançadas
Da mesma sorte qual no palco as rosas.
Vão pela mão das nobres elegantes
As crianças risonhas, — cintilantes
De uma feroz e estúpida alegria:
Cruzam-se olhares de malícia, — enquanto
Os mortos sentem gotejar o pranto...
Que chora o orvalho quando expira o dia.