O Pensamento
Uma pesada e fúnebre tristeza
Ganhava o espaço, — e a noite majestosa
Noite sem astros, noite procelosa,
Como um remorso enchia a natureza.
Do mar convulso na letal grandeza
A voz das ondas torva e monstruosa,
Arquejante, sombria, cavernosa,
Lembrava os uivos duma hiena presa.
E, enquanto o mundo, pávido e sedento,
Acabrunhado de cruéis terrores,
Contemplava a tremer o firmamento,
Minha alma, envolta em turbilhões de flores,
Sobre o corcel audaz do Pensamento
Galopava do céu entre os fulgores.