O Pensamento Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 118 de 159
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O Pensamento

Uma pesada e fúnebre tristeza

Ganhava o espaço, — e a noite majestosa

Noite sem astros, noite procelosa,

Como um remorso enchia a natureza.

Do mar convulso na letal grandeza

A voz das ondas torva e monstruosa,

Arquejante, sombria, cavernosa,

Lembrava os uivos duma hiena presa.

E, enquanto o mundo, pávido e sedento,

Acabrunhado de cruéis terrores,

Contemplava a tremer o firmamento,

Minha alma, envolta em turbilhões de flores,

Sobre o corcel audaz do Pensamento

Galopava do céu entre os fulgores.

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