O Colar Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 120 de 159
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O Colar

Quando de tules coberta

Como os jasmins orvalhados,

Tu atravessas dos bailes

Os vastos salões doirados;

Sem uma joia, um ornato

Nesse colo virginal,

Sem uma pétala de oiro,

Sem um fio de coral;

Parece que os teus olhares

Pousam cúpidos, ardentes,

Nos regaços salpicados

De frias pedras luzentes;

E uma nuvem pesarosa

Ensombra-te o rosto mago,

Como a neblina erradia

Que turba o espelho dum lago;

Tens zelo talvez, tens zelos

Das milionárias brilhantes,

Que jorram nas loucas valsas

Com um rio de diamantes...

No entanto, nada fulgura

Mais que os teus dotes serenos:

Nua de adornos tu vences,

Ó branca e inocente Vênus!

Teus olhos valem safiras,

Valem pérolas teu riso:

E essas joias soberanas

Herdaste-as do Paraíso:

Feliz do noivo que um dia,

Rio de amor e desejos,

Prender-te ao seio de neve...

Um rubro colar de beijos.

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