O Colar
Quando de tules coberta
Como os jasmins orvalhados,
Tu atravessas dos bailes
Os vastos salões doirados;
Sem uma joia, um ornato
Nesse colo virginal,
Sem uma pétala de oiro,
Sem um fio de coral;
Parece que os teus olhares
Pousam cúpidos, ardentes,
Nos regaços salpicados
De frias pedras luzentes;
E uma nuvem pesarosa
Ensombra-te o rosto mago,
Como a neblina erradia
Que turba o espelho dum lago;
Tens zelo talvez, tens zelos
Das milionárias brilhantes,
Que jorram nas loucas valsas
Com um rio de diamantes...
No entanto, nada fulgura
Mais que os teus dotes serenos:
Nua de adornos tu vences,
Ó branca e inocente Vênus!
Teus olhos valem safiras,
Valem pérolas teu riso:
E essas joias soberanas
Herdaste-as do Paraíso:
Feliz do noivo que um dia,
Rio de amor e desejos,
Prender-te ao seio de neve...
Um rubro colar de beijos.