Ódio
Esta criança tímida e medrosa,
Obra prima do gozo e da ventura,
Esta criança cuja boca pura
Exala aromas como o cravo e a rosa;
Esta inocente e meiga criatura.
Esta menina loira e radiosa,
Eu a detesto e odeio! É tão formosa
Que me faz mal a sua formosura:
Pois vêm-me à ideia as noites delirantes
Em que nos braços de outro palpitantes
Geraste a casta formosura dela:
Vejo-te o seio louco de desejos,
E parece-me até ouvir os beijos
Dados, cruel! para a fazer tão bela!