O Cego Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 127 de 159
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O Cego

Ontem meu canto longo e amargurado,

Entre os grupos do povo sussurrante

Vibrou convulso, rouco, soluçante,

Como os queixumes de um adeus magoado.

E quando o humilde cego desgraçado,

Morto de fome e quase agonizante,

Abria a mão gelada e suplicante,

Uma voz de mulher disse: “Coitado!”

Ah! que eu não possa contemplar-te um dia!

Que eu não te possa ver, casta Maria,

Tal que em meu coração hoje te vejo:

Tu, cuja voz plangente e comovida

Ressoou em minha alma agradecida

Mais doce ainda que o rumor de um beijo.

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