A Canção da Morta Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 108 de 159
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A Canção da Morta

Quando eu cingia a veste caprichosa

Dos saraus opulentos e brilhantes,

Quando nas minhas gazes roçagantes

Enfeitiçava a turba rumorosa;

Diziam todos: — Como ela é formosa!

Que donaires corretos e elegantes!

E cercavam-me em grupos sussurrantes

Como as abelhas em redor da rosa.

Por que será que a multidão magoada

Geme agora de dor e de saudade

Contemplando-me a fronte engrinaldada?

Nunca tão bela fui na mocidade:

Eis-me feliz, risonha e amortalhada

Para as festas azuis da Eternidade.

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