O Coliseu
Enquanto a Noite, que a cismar ensina,
Caminhava na nuvem ondulosa,
— Sinistra, muda, torva, pavorosa —
Eu me perdi na Imperial Ruína.
Do firmamento o raio baço e escuro
Treme no pó do circo mortuário;
O Anfiteatro é negro e solitário,
Negro o canal e o condenado muro.
E eu, abaixando a fronte enevoada,
Desci ao antro, ao boqueirão do mundo
Onde a púrpura dos reis ficou rasgada.
E pareceu-me ouvir um ai profundo,
E ver rolar na treva apavorada
O fantasma do escravo moribundo.