O Coliseu Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 75 de 159
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O Coliseu

Enquanto a Noite, que a cismar ensina,

Caminhava na nuvem ondulosa,

— Sinistra, muda, torva, pavorosa —

Eu me perdi na Imperial Ruína.

Do firmamento o raio baço e escuro

Treme no pó do circo mortuário;

O Anfiteatro é negro e solitário,

Negro o canal e o condenado muro.

E eu, abaixando a fronte enevoada,

Desci ao antro, ao boqueirão do mundo

Onde a púrpura dos reis ficou rasgada.

E pareceu-me ouvir um ai profundo,

E ver rolar na treva apavorada

O fantasma do escravo moribundo.

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