As Mãos de Bela
Essas divinas mãos feitas de arminho,
Lírios, jasmins, anêmonas e rosas,
Mãos, cujas palmas finas e untuosas,
Mais doces são do que o frouxel dum ninho;
Essas divinas mãos que ao burburinho
Da prece se unem tímidas, piedosas,
Mais palpitantes, débeis e medrosas
Que a asa fugaz do tenro passarinho;
Esses milagres de escultura viva
Que o divino buril na sensitiva
Talhou, — franzinas mãos de anjo e de fada,
Sabem vibrar com gesto soberano
E de chofre embeber no peito humano
Do heroico Amor a sanguinária espada.