A Gazela
Sobre um coxim de malvas e de rosas
No regaço do bosque, sossegada
Dorme a gazela e sonha... A madrugada
Beija de leve as árvores frondosas...
Sonha que em vasta alfombra de mimosas
Por cristalinas águas esmaltada,
Folga segura a tribo delicada
Das gazelas ligeiras e formosas.
Súbito um grito agudo o espaço agita,
E como o raio cai da tempestade,
A pantera voraz se precipita.
Assim, gazela da alma, ó Mocidade,
Quando tu sonhas sobre ti palpita
A sanguinária e bruta Realidade.