Boa Viagem
Boa viagem, almas forasteiras!
Ides à Índia — à terra prometida
Onde a alma se abisma enlanguescida,
Morta de amor — no olhar das baiadeiras.
Ides dormir nas fúnebres clareiras
Onde ruge a pantera surpreendida;
Onde o clarão da lua entorpecida
Goteja e cai do leque das palmeiras...
E enquanto nós — prudentes criaturas –
Plantamos nesta insípida paragem
O velho tédio e as usuais venturas,
Vós — ardentes de febre e de coragem,
Colheis a rubra flor das aventuras:
Deus vos conduza, amigos! Boa viagem.