Memórias
Baixava a noite: — os morros tristemente
No fofo azul das nuvens se envolviam...
Cheios de medo os pássaros fugiam,
À luz sombria do luar tremente.
Nós estávamos sós. Humildemente
Os olhos seus meus olhos refletiam,
Como no lago os astros, e bebiam
Sua alma fresca, trêmula e inocente.
Ao pé de nós um rio suspirava,
E as roxas folhas do pomar copado
De espaço a espaço, o vento meneava.
Seu alvo colo de pudor velado,
Entre os meus braços como a pomba arfava...
Cala-te, coração! Tudo é passado.