Arrulhos de Namorados
— Não vês aquele riacho
Que da esplanada desceu
E uniu-se à fonte lá abaixo?
Ela és tu, ele sou eu.
“E tu? Vês aquelas palmas
Que enlaçam rijos cipós?
Não serão as nossas almas?
Não são tão iguais a nós?”
— Não vês os grupos formosos
Dos colibris sobre a flor?
Assim voam nossos gozos
Libando os favos do amor.
“E tu? Vês naquele ramo
Uma ave? Olha: ali, ali:
Parece gemer: — Eu te amo!
Sou eu gemendo por ti”.
— Assim é: ambos compomos
Na terra um profundo nó:
O que sou eu? O que somos?
Dois corpos numa alma só.