Guitarra
Cantei, ó bela, os dotes teus: a lira
Fiel e meiga a voz me acompanhava,
E a lua, erguendo o manto de safira,
Parecia escutar o que eu cantava.
Cantei-te o seio lânguido e alvejante
— Pomba aninhada em flocos de cambraia —
E pareceu-me ouvir naquele instante
Zelosa a vaga estremecer na praia.
Cantei depois a juvenil fragrância
Dos nossos velhos e gentis folguedos
Na mais sonora e feiticeira estância;
Cantei o nosso amor e os seus segredos;
Mas quando ia cantar tua constância...
Quebrou-se a lira e me caiu dos dedos.