O Arsenal Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 33 de 159
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O Arsenal

Dorme o vasto arsenal. As balas apinhadas

Reluzem ao clarão de lâmpadas distantes;

Enrolados num grupo, — os pavilhões brilhantes

Erguem, rijas ao ar, as lanças afiadas.

Dormem, fartas de sangue, as triunfais espadas

Sobre os áureos broquéis, como um tropel de amantes:

Dos sombrios fuzis as pontas lancinantes

Repousam, uma a uma, — ao longo — enfileiradas.

Junto ao férreo portão — repleto, saciado,

Sobre a negra carreta — estende-se isolado

O cérbero da Lei, o vil canhão enorme:

E, ao soturno rumor do vendaval do norte,

Que penetra-lhe a fauce, o brônzeo cão da morte

Uiva, rosna, ameaça, — e novamente dorme.

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