O Arsenal
Dorme o vasto arsenal. As balas apinhadas
Reluzem ao clarão de lâmpadas distantes;
Enrolados num grupo, — os pavilhões brilhantes
Erguem, rijas ao ar, as lanças afiadas.
Dormem, fartas de sangue, as triunfais espadas
Sobre os áureos broquéis, como um tropel de amantes:
Dos sombrios fuzis as pontas lancinantes
Repousam, uma a uma, — ao longo — enfileiradas.
Junto ao férreo portão — repleto, saciado,
Sobre a negra carreta — estende-se isolado
O cérbero da Lei, o vil canhão enorme:
E, ao soturno rumor do vendaval do norte,
Que penetra-lhe a fauce, o brônzeo cão da morte
Uiva, rosna, ameaça, — e novamente dorme.