Castro Alves
Baixaste à campa, sonhador, na hora,
Hora melhor da vida e da Poesia:
Mergulhaste na Noite eterna e fria,
Todo ensopado do orvalhar da aurora.
A Pátria, — a triste mãe que te deplora,
Já não sorri, ai não! como sorria:
E que futuro, amigo, prometia
Tua alma brava, esplêndida e sonora!
Dorme, porém, feliz e sossegado:
O mundo ainda é o mundo gangrenado,
E a dor que te matou também nos mata:
A morte, sim, é o sono imaculado:
E Deus para o poeta o céu desata
Semeado de lágrimas de prata!...