Noturno
Canta! Parece — quando estás cantando –
Que eu já não sorvo o ar torpe e homicida
Dos tremedais malditos desta vida...
Sinto o meu coração fugir voando...
Ao teu suspiro mavioso e brando,
Minha alma exulta e goza comovida
Como a abrasada planta umedecida
Dos orvalhos que a Noite vai chorando;
Ora me levas aos queixosos mares,
Ora à floresta umbrosa e recatada
Onde boiam perfumes e luares...
Oh! canta! Estou a ouvir na madrugada
Os sussurros do rio e dos palmares
De nossa terra, ó companheira amada!...