Noturno Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 111 de 159
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Noturno

Canta! Parece — quando estás cantando –

Que eu já não sorvo o ar torpe e homicida

Dos tremedais malditos desta vida...

Sinto o meu coração fugir voando...

Ao teu suspiro mavioso e brando,

Minha alma exulta e goza comovida

Como a abrasada planta umedecida

Dos orvalhos que a Noite vai chorando;

Ora me levas aos queixosos mares,

Ora à floresta umbrosa e recatada

Onde boiam perfumes e luares...

Oh! canta! Estou a ouvir na madrugada

Os sussurros do rio e dos palmares

De nossa terra, ó companheira amada!...

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