O Filho
A vida dele era uma gargalhada,
A vida dela, um pranto. Ela chorava
Sobre o rude trabalho que a matava,
Ele ria na tasca enfumaçada.
Jamais nos lábios dela a asa doirada
De um sorriso passou; — jamais na cava
E horrenda face dele resvalava
Sequer de um pranto a pérola nevada.
Mas Deus, que deu à entranha de Maria
O redentor dos homens, Deus lhe fez
Uma esmola: — Deus fê-los pais um dia:
E ambos, beijando ao filho os níveos pés,
Pela primeira vez ela sorria,
E ele chorou — pela primeira vez.