A Lucinda Simões
Quando percorres a fulgente arena
Da Arte imortal, — ingênua, cismadora,
Trágica, humilde, casta ou pecadora, —
Mas sempre de fulgor e graças plena;
Quando teu lábio atrai, morde e envenena
Nos sorrisos fatais da atroz Leonora,
Ou quando, fresco e róseo como a Aurora,
De cascatas de luz inunda a cena;
Ó diva! o nosso espírito cansado
Por te seguir os voos, sente o alado
Grupo de gênios na amplidão dispersos:
Grita o teu nome o Povo eletrizado,
E o Poeta, de súbito inspirado,
Lança-te aos pés toda a sua alma em versos!