A Lua no Mar
Corta o navio as águas sossegadas:
Repousa o mar, o velho mar bondoso;
No firmamento um ponto luminoso
Apenas fere as nuvens azuladas...
As noturnas aragens despertadas
— Longos suspiros trêmulos de gozo —
Beijam do mar o seio poderoso
Como invisíveis e lascivas fadas.
O firmamento, pouco a pouco, brilha;
Sobre a planície movediça e nua,
Que o altivo barco soberano trilha,
Como um vulcão de neve que flutua,
Rompe de todo a eterna maravilha:
A grande, a calma, a solitária Lua!