Mata virgem
Eu perdi-me na mata imensa e tenebrosa...
O vento que a princípio era uma aragem pura,
Transformou-se de pronto, — e a brisa que murmura
Fez-se negro tufão de voz tempestuosa.
Treme o solo, e a floresta há pouco silenciosa,
Estorce-se a gemer numa cruel tortura;
O pássaro fugindo — em vão louco procura
Na convulsão da mata a companheira ansiosa.
Range o jequitibá: — os ninhos arrancados
Voam no turbilhão; — a cabiúna anseia,
Deslaçam-se os cipós dos troncos derrocados;
Muge o rouco trovão, toda a floresta arqueia,
E eu, à tremenda voz dos ecos espantados,
Tenho pena de mim como dum grão de areia.