Mata virgem Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 44 de 159
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Mata virgem

Eu perdi-me na mata imensa e tenebrosa...

O vento que a princípio era uma aragem pura,

Transformou-se de pronto, — e a brisa que murmura

Fez-se negro tufão de voz tempestuosa.

Treme o solo, e a floresta há pouco silenciosa,

Estorce-se a gemer numa cruel tortura;

O pássaro fugindo — em vão louco procura

Na convulsão da mata a companheira ansiosa.

Range o jequitibá: — os ninhos arrancados

Voam no turbilhão; — a cabiúna anseia,

Deslaçam-se os cipós dos troncos derrocados;

Muge o rouco trovão, toda a floresta arqueia,

E eu, à tremenda voz dos ecos espantados,

Tenho pena de mim como dum grão de areia.

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