Ernesto Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 57 de 159
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Ernesto

Foste feliz, Ernesto! Deus piedoso

Arrancou-te do mundo aos revoltosos,

Torpes, pungentes, insensatos gozos

Para dar-te do céu o eterno gozo.

Eras a folha exposta ao vento iroso

Que gera a dor e forma os desditosos:

Por isso Deus teus dias melindrosos

Guardou nas sombras do final repouso.

Dorme e sonha, criança! A eterna Morte

Mitigue e embale o teu sonhar modesto

Longe da humana e pérfida coorte.

Ah! eu, que as loucas ambições detesto,

Não fui digno de ter a mesma sorte:

Descansa em paz; — foste feliz, Ernesto.

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