Ernesto
Foste feliz, Ernesto! Deus piedoso
Arrancou-te do mundo aos revoltosos,
Torpes, pungentes, insensatos gozos
Para dar-te do céu o eterno gozo.
Eras a folha exposta ao vento iroso
Que gera a dor e forma os desditosos:
Por isso Deus teus dias melindrosos
Guardou nas sombras do final repouso.
Dorme e sonha, criança! A eterna Morte
Mitigue e embale o teu sonhar modesto
Longe da humana e pérfida coorte.
Ah! eu, que as loucas ambições detesto,
Não fui digno de ter a mesma sorte:
Descansa em paz; — foste feliz, Ernesto.