A Voz de Moema
Gemem as ondas mansamente; — a quilha
Do barco ondeia ao som da vaga clara;
Cai do farol a luz longínqua e rara,
E a lua cheia sobre as ondas brilha.
Do mar na ardente e luminosa trilha
Nem um batel por estas hora para:
Dorme a Baía, ao longe, — a altiva e cara
Joia dos deuses, de Colombo filha.
Tudo é silêncio e calma. O bardo, entanto,
Que tudo vê, e em tudo colhe o tema
Que amor produz no flácido quebranto,
Ouve pairar no ar sons dum poema...
Ai! é a voz, — a voz, rouca de pranto,
A triste voz de pálida Moema!