Confidência Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 143 de 159
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Confidência

Como dois cisnes que se vão errantes

Dum quieto lago a vaga azul turbando,

As nossas almas juntas deslizando

Asa com asa, voam semelhantes

Como dois cisnes que se vão errantes.

Ninguém nos pode separar na vida;

Somente o Criador — Deus tão somente

Fora capaz num dia injustamente

De dar-te a morte e me poupar, querida:

Ninguém nos pode separar na vida.

Juntos gozamos, juntos padecemos:

Assim os galhos gêmeos medram, crescem

Ao mesmo tempo e a mesma dor padecem;

O que tu sofres ambos nós sofremos:

Juntos gozamos, juntos padecemos.

Ao Firmamento límpido e profundo

Nossas aspirações boas e calmas

Vão ascendendo... Um dia as nossas almas

Subirão abraçadas deste mundo

Ao Firmamento límpido e profundo.

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