Profissão de Fé
O velho Sacerdote escuta cada dia,
Ruja o vento do inverno ou folgue a estiva aragem,
Perante o humilde altar da sua Freguesia,
Do Deus vivo a palavra. E em face àquela imagem
Nada o distrai. O grito estrídulo e selvagem
Da bruta multidão feroz que tripudia,
Não perturba sequer a matinal linguagem
Que o alto campanário às solidões envia.
Como o Padre fiel — o místico soldado
Das falanges de Cristo, — o Poeta isolado,
Perante o largo altar das Crenças imortais,
Sacerdote do Amor, eleva-se num hino,
Ao som da eterna voz dum invisível sino
Que percutem no céu os altos Ideais.