O Sol no Mar
As grossas ondas quebram num gemido
Gemido da alma quando está saudosa:
Uma expira após outra vagarosa
Com um leve, um frouxo, um tímido ruído.
Nas rubras bordas do horizonte unido
Ao mar — à vaga elétrica e amargosa —
Vai-se cavando a tumba luminosa
Do Sol, do herói, do deus nunca vencido.
Rubins, opalas, lírios e violetas
Rolam do seio augusto e imaculado
Do rei do espaço e Guia dos poetas...
E, como César mórbido e cansado,
O Sol, colhendo as fulgurantes setas,
Dorme na régia púrpura embrulhado.