O Sol no Mar Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 46 de 159
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O Sol no Mar

As grossas ondas quebram num gemido

Gemido da alma quando está saudosa:

Uma expira após outra vagarosa

Com um leve, um frouxo, um tímido ruído.

Nas rubras bordas do horizonte unido

Ao mar — à vaga elétrica e amargosa —

Vai-se cavando a tumba luminosa

Do Sol, do herói, do deus nunca vencido.

Rubins, opalas, lírios e violetas

Rolam do seio augusto e imaculado

Do rei do espaço e Guia dos poetas...

E, como César mórbido e cansado,

O Sol, colhendo as fulgurantes setas,

Dorme na régia púrpura embrulhado.

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