Miguel Ângelo e Moisés Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 48 de 159
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Miguel Ângelo e Moisés

Quando arrancaste, ó lívido gigante,

Do frio bloco inerte e inanimado

Essa estátua que o mundo eletrizado

Compara às brônzeas criações do Dante;

Quando o velho profeta deslumbrante

Do teu gênio surgiu, ó Mestre ousado,

Imprimindo-lhe o punho desvairado,

“Fala!” bradaste extático e ofegante.

Há já três séculos que o imortal prodígio,

Obra de tuas mãos — resume a história

Dos teus triunfos e do teu prestígio;

O próprio tempo, Arcanjo da Vitória,

Não lhe deixa na pedra um só vestígio,

E ele não cessa de aclamar-te a glória.

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