Miguel Ângelo e Moisés
Quando arrancaste, ó lívido gigante,
Do frio bloco inerte e inanimado
Essa estátua que o mundo eletrizado
Compara às brônzeas criações do Dante;
Quando o velho profeta deslumbrante
Do teu gênio surgiu, ó Mestre ousado,
Imprimindo-lhe o punho desvairado,
“Fala!” bradaste extático e ofegante.
Há já três séculos que o imortal prodígio,
Obra de tuas mãos — resume a história
Dos teus triunfos e do teu prestígio;
O próprio tempo, Arcanjo da Vitória,
Não lhe deixa na pedra um só vestígio,
E ele não cessa de aclamar-te a glória.