A Caravana
Da agreste lira aos matinais harpejos
Foi caminhando, ó bela soberana,
A esperançosa e infinda caravana
Das minhas ilusões e dos meus beijos;
Teus largos olhos, donde a luz emana,
Eram miragens de ideais desejos;
E os lábios teus — oásis benfazejos
Cujo fulgor atrai, promete e engana.
E, após jornadas cruas e penosas,
As ilusões famintas, sequiosas,
Do teu falsário coração já perto,
Sucumbiram, ó pérfida tirana,
Como no Saara a exausta caravana
Que pro cura uma fonte e acha o deserto.