Londres
Como um gigante suarento, — dorme
Nos pardos mantos duma névoa estranha,
A cidade opulenta em cuja entranha
Rasteja a fome como um verme enorme.
Dos lampiões à dúbia claridade,
Passam, repassam vultos cautelosos:
Este procura no mistério os gozos,
Procura aquele um pão, na realidade.
Contra o cais solitário o rio escuro
Geme convulso e espuma, — e novamente
Volta a gemer, de encontro ao velho muro;
Retine o oiro: — vela a Indústria ingente,
Cresce a miséria, e aumenta o vício impuro...
Ó milionária Londres indigente!