Londres Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 18 de 159
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Londres

Como um gigante suarento, — dorme

Nos pardos mantos duma névoa estranha,

A cidade opulenta em cuja entranha

Rasteja a fome como um verme enorme.

Dos lampiões à dúbia claridade,

Passam, repassam vultos cautelosos:

Este procura no mistério os gozos,

Procura aquele um pão, na realidade.

Contra o cais solitário o rio escuro

Geme convulso e espuma, — e novamente

Volta a gemer, de encontro ao velho muro;

Retine o oiro: — vela a Indústria ingente,

Cresce a miséria, e aumenta o vício impuro...

Ó milionária Londres indigente!

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