Álvares de Azevedo
Quem dorme aqui ao pé das casuarinas,
Sob o cipreste verde e suspiroso,
Este que sonha no final repouso
Dentro da terra cheia de boninas;
— Réstia de sol nas névoas matutinas —
Fulgiu brilhante, aéreo, carinhoso,
E só durou o espaço radioso
Que dura o orvalho nas manhãs divinas.
Por entre as turbas falsas e descrentes
Ele espalhou a lenda incompreendida
Das liras santas e das harpas crentes...
Chorai, chorai, ó multidão descrida,
Quem entre as vossas ambições dementes
Foi poeta — sonhou — e amou na vida.