Álvares de Azevedo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 84 de 159
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Álvares de Azevedo

Quem dorme aqui ao pé das casuarinas,

Sob o cipreste verde e suspiroso,

Este que sonha no final repouso

Dentro da terra cheia de boninas;

— Réstia de sol nas névoas matutinas —

Fulgiu brilhante, aéreo, carinhoso,

E só durou o espaço radioso

Que dura o orvalho nas manhãs divinas.

Por entre as turbas falsas e descrentes

Ele espalhou a lenda incompreendida

Das liras santas e das harpas crentes...

Chorai, chorai, ó multidão descrida,

Quem entre as vossas ambições dementes

Foi poeta — sonhou — e amou na vida.

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