A Valsa
Parece que a orquestra tem alma e que sente:
Dos astros cansados ao mórbido olhar,
A música geme qual gemem no mar
As ondas aos raios da lua plangente.
As gazes adejam no ar transparente
Bem como as neblinas que bailam no ar;
As sedas murmuram; — também ao luar
Murmura das vagas a clâmide algente.
E vós, loucas filhas da dança traidora,
Suspensas às notas da orquestra que anseia,
Voais como as pombas divinas da Aurora:
Diana entre as névoas longínquas pranteia,
E os flébeis compassos da valsa canora,
Borbulham as ondas morrendo na areia...