O Danúbio Azul
— “Desçamos ao jardim: dê-me o seu braço,
— Ela me disse — Este calor me mata!”
E em sua espádua nua um véu de prata
Luzia: — era o calor, era o cansaço.
Seguimos a alameda conversando:
Que voz celeste! que inflexões que tinha!
Uma voz de contralto e de rainha,
Ora imponente, ora um murmúrio brando.
E a tíbia luz da aurora que esgarçava
Da morta noite o solitário velo,
Toda minha alma, trêmula escutava,
Cheia de um longo, — dum profundo anelo,
Aquela ardente voz que suspirava
Como o Danúbio Azul num violoncelo.