O Danúbio Azul Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 32 de 159
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O Danúbio Azul

— “Desçamos ao jardim: dê-me o seu braço,

— Ela me disse — Este calor me mata!”

E em sua espádua nua um véu de prata

Luzia: — era o calor, era o cansaço.

Seguimos a alameda conversando:

Que voz celeste! que inflexões que tinha!

Uma voz de contralto e de rainha,

Ora imponente, ora um murmúrio brando.

E a tíbia luz da aurora que esgarçava

Da morta noite o solitário velo,

Toda minha alma, trêmula escutava,

Cheia de um longo, — dum profundo anelo,

Aquela ardente voz que suspirava

Como o Danúbio Azul num violoncelo.

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