Eva
Adão, ao vê-la nua e iluminada
Pelo celeste olhar onipotente,
Sorriu, tremeu, chorou, e humildemente
Beijou a fronte à loira desposada.
Eva, entreabrindo a pálpebra adorada,
Ao seu divino esposo ternamente
Estende a boca pálida, tremente
Como a açucena aos lumes da alvorada.
Rezam depois as folhas da Escritura
Que Eva pecou e o Arcanjo vingador
Expulsou-os da edênica planura.
Salve, ó sublime filha do Senhor!
Tu que inventaste o êxtase, a ternura,
E os crimes todos do primeiro amor!