Eva Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 95 de 159
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Eva

Adão, ao vê-la nua e iluminada

Pelo celeste olhar onipotente,

Sorriu, tremeu, chorou, e humildemente

Beijou a fronte à loira desposada.

Eva, entreabrindo a pálpebra adorada,

Ao seu divino esposo ternamente

Estende a boca pálida, tremente

Como a açucena aos lumes da alvorada.

Rezam depois as folhas da Escritura

Que Eva pecou e o Arcanjo vingador

Expulsou-os da edênica planura.

Salve, ó sublime filha do Senhor!

Tu que inventaste o êxtase, a ternura,

E os crimes todos do primeiro amor!

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