O Boi Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 139 de 159
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O Boi

Amo-te, ó manso boi, forte e jocundo,

Quando inundas de paz meu pensamento,

Ou quando — austero como um monumento —

Contemplas o valado amplo e fecundo.

Gosto de ver-te, auxiliador do mundo,

Enquanto o homem fere-te cruento,

Lhe responderes, não com um vão lamento,

Mas com teu doce olhar, — doce e profundo.

Nessa cansada e úmida narina

Fumega o teu espírito afanoso,

E o teu mugido na amplidão se perde...

Descamba o sol no vale e na campina,

E em teu olhar reflete-se saudoso

Dos campos o silêncio — augusto e verde.

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