O Boi
Amo-te, ó manso boi, forte e jocundo,
Quando inundas de paz meu pensamento,
Ou quando — austero como um monumento —
Contemplas o valado amplo e fecundo.
Gosto de ver-te, auxiliador do mundo,
Enquanto o homem fere-te cruento,
Lhe responderes, não com um vão lamento,
Mas com teu doce olhar, — doce e profundo.
Nessa cansada e úmida narina
Fumega o teu espírito afanoso,
E o teu mugido na amplidão se perde...
Descamba o sol no vale e na campina,
E em teu olhar reflete-se saudoso
Dos campos o silêncio — augusto e verde.