Naufrágio Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 97 de 159
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Naufrágio

Sulcando as ondas soberanas, belas

Do verde mar a nau galharda corre:

Tranquilo o dia pouco a pouco morre,

E a noite assoma à frente das estrelas.

Enfuna o vento o desfraldado pano,

O tempo é calmo, o espaço é todo um prisma:

E de repente a nau para e se abisma

Nas fauces torvas e infernais do Oceano.

Sabeis por quê? Ninguém a bordo via

Ao nível do porão um ponto incerto:

Riam-se à vida e a morte os conduzia.

Também há almas como a nau decerto:

Vê-lhes o mundo a efêmera alegria,

E elas trazem no seio um cancro aberto.

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