A Estátua Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 156 de 159
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A Estátua

Narrei-lhe o drama de minha alma... Absorta

Num vago ideal talvez, pálida a bela

Tinha nos olhos um clarão de estrela...

Mas no resto do corpo estava morta.

Quando a voz do Poeta canta e exorta

Ou vibra como as asas da procela,

Arrasta céus e mundos... Porém Ela

Aos meus gemidos respondeu: “Que importa?”

Que importa! E contemplava-me tranquila

Aquela ousada encarnação da argila,

Fria, tão fria como a lousa fria...

Morto de dor, de desespero insano,

Dos meus olhos verti ondas de oceano,

E Ela — a sereia — entre meus prantos ria.

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