A Estátua
Narrei-lhe o drama de minha alma... Absorta
Num vago ideal talvez, pálida a bela
Tinha nos olhos um clarão de estrela...
Mas no resto do corpo estava morta.
Quando a voz do Poeta canta e exorta
Ou vibra como as asas da procela,
Arrasta céus e mundos... Porém Ela
Aos meus gemidos respondeu: “Que importa?”
Que importa! E contemplava-me tranquila
Aquela ousada encarnação da argila,
Fria, tão fria como a lousa fria...
Morto de dor, de desespero insano,
Dos meus olhos verti ondas de oceano,
E Ela — a sereia — entre meus prantos ria.