Venus Victrix
De que profundos céus rolou a estrela
A dupla estrela que em teus olhos mora?
Qual foi a rósea lágrima da Aurora
Que se encarnou em tua espádua bela?
Dizem que a Vênus Veronesa é a tela
Onde dormia a Forma tentadora:
Eu, louco artista, vê-la quis outrora,
Mas depois que te vi não quero vê-la.
O Eterno Deus, o Estatuário ingente
Burilou-te, a sorrir, a alma inocente,
E — digno escrínio que tal gema encerra —
Pôs em teu corpo dotes aos milhares...
A própria Vênus que surgiu dos mares
Cede-te a palma a ti, Vênus da terra!