O Berço e o Túmulo Lírica: Sonetos e Rimas · Capítulo 142 de 159
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O Berço e o Túmulo

Eu sou — dizia o berço ao túmulo profundo —

A mansão da inocência, a festival guarida:

Em meu seio de neve é que se empluma a vida:

Eu sou o amor! o amor!... E tu, sepulcro imundo,

És a voraz garganta, o abismo furibundo

Onde o leve batel, de bússola partida,

Sente cair-lhe o leme e a vela descosida:

Ó morte, és como o tigre, o teu curral é o mundo.

Respondeu-lhe o sepulcro: — Escuta, enquanto inflamas

As ambições, o ódio, as guerras, a impiedade,

Eu acolho em meu seio as iras que derramas:

Dou a flor, dou o fruto à lívida orfandade,

Despovoo o hospital, varro as imundas camas,

E aos poetas sem pão dou a Imortalidade.

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