Junqueira Freire
Ei-lo por terra — o gênio consagrado,
O pensador do claustro! A larga fronte
Desceu à campa como além no monte
Desce do sol o globo inanimado.
Foi-lhe a existência nesse inglório mundo
Uma aflição em meio de agonias:
Foram-lhe noites os mais claros dias,
E viveu como vive um moribundo.
Cobre-lhe agora o seio o pó funéreo
Da sepultura. A lira emudecida
Já não acorda os ecos desta vida:
Que importa! A alma exulta no mistério,
E a vaga e vaga alígera e perdida
Pelas soidões do firmamento etéreo!