O Enterro Civil
Vai — caminho do olvido — a turba lutuosa...
Sopra o vento do outono. As tochas vacilando
Pendidas para o chão, — consomem-se chorando
Como a ausente viúva, a mártir dolorosa.
No veludo do esquife a chama nebulosa
Roça, brilha e se esvai, e o coche caminhando
Conduz ao cemitério o espólio miserando
Daquele que viveu, e que afinal repousa.
Os amigos fiéis, em tom grave e pausado,
Relembrando do morto as ações, o passado,
Dizem alçando a voz: — “Foi um homem de bem,
Um livre pensador, um campeão valente,
Seja-lhe a terra leve e Deus onipotente
Dê-lhe um lugar no céu...” Grita um garoto: Amém!